MARCELO VALLS | PAISAGEM QUÍMICA VER IMAGENS A matéria se impõe como meio de construção da paisagem, projetando imagens diluídas, que nos imprimem sensações de lugares já vistos, conhecidos. E é justamente cada camada de matéria e sua metamorfose que vai conduzindo a esta fruição da paisagem. Por outro lado o artista apropria-se da mitologia vivida por Joseph Beuys, que caiu com seu avião na Criméia e foi salvo por tártaros. Esta apropriação busca acentuar o conteúdo auto-referente vivido pela pintura contemporânea.Mas realçar o mito de Beuys é também assinalar na matéria com a qual Marcelo Valls constrói sua poética, o exemplo de um artista que colocou no centro das atividades artísticas novos materiais como gordura animal e mel. E pintar essa biografia com os materiais com os quais é pintada é reafirmar o poder da matéria-imagem em rela ção ao texto. A narrativa é corroída sem que seja destruída.Trata-se de um trabalho que responde a questões intrínsecas à história da pintura. A matéria que trabalha silenciosamente na construção das imagens se assemelha à própria ação da terra, que se modifica lentamente para reanimar sempre novas camadas, "... quando tudo ficava em silêncio, como nas profundezas da terra onde misteriosamente cresce o ouro,..." dizia Hyperion a Belarmino em "O Eremita na Grécia" de Hölderlin. Alberto Saraiva. Crítico de artes e Curador do Espaço Cultural Oi Futuro Dezembro de 2006 |
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